Loja virtual: passo-a-passo de como abrir uma hoje mesmo

Com esse guia rápido, será fácil abrir sua loja virtual

Dados sobre e-commerce / loja virtual da  37ª edição da Webshoppers mostraram que, em 2017, o faturamento do setor chegou a R$47,7 bilhões. Um crescimento de 7,5% com relação ao ano anterior.

No Brasil, os dados são ainda mais impressionantes. O crescimento foi de 12% em 2017, e o valor tende a se repetir em 2018. O número de consumidores também teve uma ascensão impressionante: de 47,93 milhões, em 2016, para 55 milhões em 2017.

Um cuidado, contudo, tem relação ao abandono do carrinho e às taxas de conversão. 82,3% dos itens colocados em carrinhos são abandonados e apenas 1,4% dos visitantes se tornam clientes. Essa é a média de conversão dos e-commerces brasileiros.

Esses números impressionantes são indicadores relevantes para comprovar que investir no setor é uma ótima sacada. Independentemente de o negócio já existir no mundo offline — e querer aumentar o market share iniciando as operações no online — ou de ser uma empresa recém-lançada: investir em e-commerce é uma boa opção.

Nesse cenário, não há nada mais relevante do que aprender como abrir uma loja virtual, não é mesmo? Neste guia, você encontrará as principais etapas envolvidas no lançamento de um e-commerce, desde a escolha do segmento de mercado até os pormenores jurídicos.

Ficou curioso? Então, vamos lá! Confira os tópicos a seguir!

O que é um e-commerce?

Comércio eletrônico, loja virtual ou e-commerce são termos utilizados para designar qualquer tipo de negócio, ou transação comercial, que envolva a transferência de informação pela internet.

O termo é amplo e serve para os mais diversos tipos de comércio online — lojas B2B, B2C, venda de música, filmes, leilões virtuais, entre outros.

Conheça os principais tipos de e-commerce a seguir:

  • Business to Consumer (B2C): são as lojas virtuais que promovem transações entre empresas e pessoas físicas. Nesse tipo de comércio virtual, os produtos ou serviços são oferecidos por uma pessoa jurídica a um consumidor final. Um dos maiores exemplos de e-commerce B2C do mundo é o Wallmart;
  • Business to Business (B2B): nesse formato, a transação é feita entre duas pessoas jurídicas. Qualquer empresa cuja buyer persona seja outra empresa pode entrar no mundo virtual como um e-commerce B2B.;
  • Consumer to Business (C2B): menos comum que os modelos anteriores, nesse formato, são pessoas físicas que ofertam produtos ou serviços para pessoas jurídicas. Um exemplo são as campanhas de crowdsourcing, nas quais o dinheiro angariado é destinado para a abertura de uma empresa;
  • Consumer to Consumer (C2C): é o modelo no qual consumidores finais vendem para consumidores finais. Um dos maiores exemplos no mundo é o Ebay;
  • Business to Government e Government to Business (B2G e G2B): é quando a transação ocorre entre governo e consumidores finais e vice-versa.

Como escolher o nicho de mercado e o produto a ser vendido?

É muito diferente abrir uma loja virtual e vender em um market place. No e-commerce, é preciso focar e ter bem claro qual é o público que você quer impactar. O ideal é escolher um micronicho para atuação.

 Existem três níveis de mercado para vender online:

  • nicho: é o espectro mais amplo em uma dada categoria. Por exemplo: itens de decoração;
  • subnicho: especifica uma categoria de um dado nicho. Por exemplo: itens de decoração para apartamentos;
  • micronicho: detalha ainda mais o segmento de atuação. Por exemplo: itens de decoração para master suítes de apartamentos.

Micronicho

É no micronicho que é preciso atuar. Ao começar por ele, você tem a possibilidade de ganhar mercado e pode, no longo prazo, atuar em um nicho amplo.

É mais fácil gerar tráfego e impactar uma audiência que demanda por um produto ou serviço específicos do que tentar ganhar mercado brigando com outras lojas virtuais que já atuam em um segmento de mercado abrangente.

É preciso estudar e fazer profundas análises setoriais para identificar o que e onde vender. Para isso:

  • verifique a demanda e escolha um segmento de mercado de que você goste. Trabalhe para fidelizar os clientes e virar referência. Uma dica é utilizar as ferramentas online de busca por palavras-chave para entender qual é, de fato, a procura pelo assunto no mundo digital;
  • tenha certeza de que você domina o assunto e conhece sobre os produtos ou serviços que pretende vender;
  • identifique tendências de mercado. O Google Trends é uma ótima ferramenta para apontar padrões de comportamento e curvas de crescimento para cada assunto a partir de uma palavra-chave;
  • entenda tudo sobre a concorrência e defina suas vantagens competitivas. Elas precisam ser fortes o suficiente para que você possa competir no mercado;
  • foque em um público específico a partir de um estudo de buyer personas. Faça testes exploratórios (free trials) e veja como é a resposta do público que você quer atingir em larga escala.

Qual o passo a passo para abrir uma loja virtual?

Lançar um e-commerce pode ser mais rápido do que você imagina, sabia? Ao longo deste material, entraremos em detalhes quanto aos principais aspectos envolvidos na abertura e gestão de um comércio online.

Mas, para que você já comece com o pé direito e entendendo, de maneira geral, o que está envolvido, separamos oito passos essenciais para o setup do novo negócio virtual.

  1. identifique um produto ou serviço com alto potencial de venda: você deve optar por algo que seja muito demandado e que possibilite altas margens de lucro. É importante escolher algo de que você goste, já que muito tempo do seu dia será dedicado a entender tudo sobre o produto;
  2. tenha bons fornecedores: por mais que você consiga gerar muito tráfego para o site, de nada vai adiantar se você não conseguir atender a demanda do consumidor. No processo de seleção para fornecedores, tenha bem claro o que você espera deles. Faça perguntas e espere que todas sejam respondidas;
  3. escolha o nome do negócio e garanta, o quanto antes, que o domínio será seu: depois de escolher um nome que realmente seja apelativo para a audiência, você não deverá correr o risco de precisar usar a segunda melhor opção por não ter registrado a marca e comprado o domínio com antecedência;
  4. desenvolva o site: escolha temas responsivos que funcionem muito bem nos mais diversos devices. Hoje, a audiência está em todo lugar e compra de qualquer dispositivo. Por isso, ser mobile friendly deixou de ser recomendado e passou a ser um requisito obrigatório;
  5. entenda tudo sobre prazo de entrega e frete: você precisará saber se fará isso internamente ou se o serviço será terceirizado. Custos de transporte e parcerias com transportadoras devem ser prioridades desde o começo da operação.

Ainda tem mais…

  1. defina metas de receita: é preciso que você conheça em detalhes todos os números do seu negócio. Quanto custa o seu produto? Quanto é o custo de entrega? Quanto você gasta com funcionários? Com manutenção de software? Com legislação? Internet? Luz? Enfim, todos os custos devem estar mapeados para que você consiga saber quanto e em quanto tempo vender;
  2. construa um plano de marketing: não basta ter um site excelente e um produto demandado. É preciso que as pessoas saibam da sua existência. Utilize estratégias de Inbound Marketing para atrair, converter e reter clientes. Trace um excelente plano de distribuição para os seus conteúdos e não desconsidere o uso de mídias tradicionais. Estratégias de crossmedia estão se mostrando cada vez mais efetivas;
  3. lance o e-commerce: não espere que tudo esteja perfeito para começar a vender e ter os primeiros clientes. Você precisará testar constantemente todas as estratégias, páginas e produtos vendidos. Quanto mais cedo você errar e mais rápido corrigir o erro, maiores serão as chances de sucesso.

Qual a tecnologia necessária?

Plataformas de e-commerce

É uma das peças mais importantes a serem escolhidas durante o processo de construção de um e-commerce. Ela é responsável pelo funcionamento da loja virtual tanto no seu back-end (a parte que o visitante do site não vê) quanto no front-end (a parte visível ao possível comprador).

É a base de toda a operação da loja online e, por meio dela, será possível cadastrar e incluir produtos, gerenciar preços e estoque, ordenar as formas de pagamento, sistematizar as entregas e possibilitar a comunicação com outros softwares de diversas funcionalidades. A integração com outras plataformas é fundamental para garantir o sucesso do projeto. Por isso, certifique-se de que a plataforma permita:

  • integrar com o Google Analytics;
  • fazer um bom trabalho de SEO;
  • possibilitar o compartilhamento nas redes sociais;
  • integrar com plataformas de marketing digital e retargeting;
  • ter um excelente editor de conteúdo;
  • ter espaço para exposição de banners promocionais;
  • ofertar produtos complementares (cross-selling) e similares, porém melhores (up-selling);
  • ter a maior variedade possível de meios de pagamentos;
  • ofertar check-out em uma única página;
  • ofertar excelente suporte ao cliente.

  Há três tipos de plataformas no mercado:

  • gratuitas: limitadas, instáveis e com pouco suporte para manutenção;
  • código fonte abertas: também são gratuitas, mas exigem conhecimento de desenvolvimento para serem operadas;
  • código fonte pagas: têm bom suporte e grande customização.

Domínio e hospedagem

Hospedagem

Todo site da internet precisa de um servidor de hospedagem e, com lojas virtuais, a regra não é diferente. A principal funcionalidade dessa tecnologia é ser um local que permita alocar arquivos virtuais e disponibilizá-los para o acesso de terceiros.

Existem três tipos de servidores. Confira, a seguir, as principais opções para e-commerces:

  1. servidor dedicado: é um banco de dados exclusivo de uma empresa. Nesse cenário, há elevado nível de customização, e a capacidade de armazenamento e o desempenho são elaborados de acordo com a necessidade do contratante;
  2. servidor em nuvem: é um conjunto de banco de dados, conectados entre si, e disponíveis na internet;
  3. servidor compartilhado: é recomendado para empresas menores e que não necessitam de recursos avançados. Como o nome indica, é um banco de dados que pode ser compartilhado entre duas ou mais partes.

Preste atenção a alguns pontos na hora de definir sua hospedagem:

  • estude qual vai ser o espaço necessário para armazenar todos os dados do seu site. Para sites pequenos e médios, 10GB tendem a ser suficientes e, por isso, recomenda-se servidores compartilhados. Já para sites grandes (com muita produção de conteúdos em vídeo e imagens), o ideal é um servidor dedicado ou em nuvem;
  • preveja o volume de tráfego esperado. Sites com até 20 mil visitantes mensais costumam optar por servidores compartilhados. Páginas da web com milhares de visitas diárias ou com picos de acesso precisam de servidores compartilhados ou em nuvem;
  • escolha um serviço de hospedagem com o maior uptime (tempo de operação) possível. Dessa forma, você evita que o seu e-commerce permaneça longos períodos offline.

Domínio

Para abrir uma loja virtual, é preciso definir o endereço eletrônico da empresa, ou seja, o seu domínio. É a informação que vem logo depois do “www” na barra de buscas do navegador. O nome da empresa é a escolha da maioria dos negócios como opção de domínio.

Algumas regras são fundamentais nesse processo. A primeira é a de fazer uma busca para identificar a disponibilidade do domínio no mundo virtual. A segunda é ter a certeza de que ele não é um domínio registrado ou uma marca protegida pelo Instituto Nacional de Marcas e Patentes (INPI).

Preste atenção às seguintes boas práticas com relação a domínios:

  • garanta que o domínio do seu site tenha a palavra-chave principal do seu negócio;
  • pense na facilidade de divulgação e memorização;
  • preveja erros de digitação e grafia;
  • entenda que domínios gratuitos fazem com que você perca tempo e espaço no mercado;
  • opte por comprar extensões internacionais, genéricas e a terminação .com para evitar marcas com sites parecidos com o seu.

Como se dão a segurança da loja virtual e as formas de pagamento?

A segurança de um e-commerce é item fundamental tanto para quem vende quanto para quem compra. Para que você, que deseja abrir uma loja virtual, esteja ciente das melhores práticas de segurança do mercado, separamos cinco dicas imprescindíveis para aderir no dia a dia da operação:

  1. acompanhe todos os cancelamentos: ao controlá-los, você consegue perceber se existem fraudadores em busca de falhas de segurança da sua loja virtual;
  2. acompanhe compras por boleto não pagos e cartões de crédito recusados: assim, é possível estar atento a pessoas que estão tentando encontrar partes do seu site vulneráveis a fraudes;
  3. tenha um sistema antifraude que faça análises constantes dos dados dos compradores, dados dos carrinhos de compra, valor da compra, localização e perfil do consumidor;
  4. opte pelo envio “Mão Própria”: é a modalidade em que o produto é entregue somente ao destinatário. Dessa forma, é possível provar quem é o receptor da mercadoria e evitar um processo de chargeback (ter de devolver ao comprador o dinheiro e ainda perder a mercadoria) fraudulento;
  5. tenha selos de segurança: além de estar de acordo com as boas práticas, você aumenta a confiabilidade do seu e-commerce e as taxas de conversão.

Meios de pagamento

Tendo as políticas de segurança da loja virtual em dia, fica mais fácil ofertar diversos e variados meios de pagamento ao consumidor. As principais modalidades utilizadas hoje em dia são:

  • boleto bancário: muito utilizado, já que qualquer pessoa pode ter acesso a ele. Não é preciso ter cartão de crédito, débito ou uma conta no banco, pois o pagamento pode ser feito em lotéricas ou na boca do caixa. Para ofertar essa modalidade de pagamento, é preciso abrir uma conta no banco e emitir o título de cobrança pela própria instituição ou por meio de softwares, como ERP’s;
  • transferência online: o cliente transfere o dinheiro imediatamente da sua conta para a loja virtual. É rápido e com baixo risco de contestação;
  • cartão de crédito: a principal vantagem é a aprovação, quase que instantânea, do pagamento. Além disso, é claro, há a possibilidade de parcelamento. É importante, contudo, ficar atento às taxas cobradas e aos prazos para receber os pagamentos;
  • cartão de débito: o recebimento é instantâneo e são poucas as chances de o consumidor solicitar chargeback. Contudo, as taxas cobradas pelas instituições bancárias tendem a ser elevadas para esse meio de pagamento;
  • intermediadores de pagamento: nessa modalidade, o cliente paga a empresa intermediadora e, caso haja saldo, o valor é transmitido ao e-commerce. As desvantagens são as taxas cobradas pelas empresas responsáveis pelo intermédio.

Como acontece a logística do e-commerce?

O processo de logística de e-commerce envolve distintas variáveis. Entre elas, estão o correto controle de estoque e de frete e o planejamento de vendas. Confira como otimizar esses processos a seguir:

Controle de estoque

O principal objetivo de uma gestão efetiva de estoque é evitar o excesso ou a falta de mercadorias. Se ela for feita de forma ineficiente, pode haver alta demanda para um único produto, deixando-o indisponível e gerando perda de vendas ou gerando a necessidade de reduzir o preço de uma mercadoria devido à alta disponibilidade no estoque.

Para que nenhum desses cenários aconteça, é preciso ter uma política clara de estoques. Por isso, lembre-se de definir qual será o nível de manutenção do estoque, os critérios para a reposição de produtos e as políticas de liquidação e de estabelecimento de preços promocionais.

Outro ponto importante é inventariar constantemente todos os ativos da empresa. Mais do que uma obrigação contábil, é o inventário que garantirá que o que for vendido possa, de fato, ser entregue.

Estoque é dinheiro empilhado, por isso, minimize-o ao máximo. Para ajudar no controle, é recomendada a implementação de softwares especializados.

Controle de frete

Uma boa forma de reduzir os custos com frete é por meio de parcerias. Definir diferentes acordos com transportadoras, e não ficar apenas vinculado aos Correios, provê flexibilidade, segurança e margem de manobra no estabelecimento de preços.

Para cargas pequenas, vale considerar o serviço de motoboys. O custo compensa quando usados para distâncias menores e prazos curtos.

Planejamento de vendas

Uma das formas mais adequadas para o planejamento e o controle efetivo das vendas é a definição e mensuração de indicadores-chave de performance (KPIs).

Ter dados mensuráveis que indiquem o desempenho dos processos, desde o momento do pedido até a entrega ao consumidor, ajuda na execução de todas as atividades relacionadas ao e-commerce. Quanto mais lean for o processo, maiores serão as chances de encontrar falhas e otimizar as ações focadas em vendas.

Quais os procedimentos jurídicos para a abertura de um e-commerce?

A parte jurídica é uma das mais importantes na abertura de uma loja virtual. Por ser um assunto um pouco distante de muitos empreendedores, ele acaba não sendo priorizado. No entanto, as consequências, no longo prazo, podem ser catastróficas e, por isso, é preciso tomar alguns cuidados.

Confira os aspectos legais que não devem ser esquecidos ao abrir um e-commerce:

  1. ter um CNPJ;
  2. saber quais são os impostos a serem pagos. Caso a loja virtual venda ou distribua produtos, serão incididos encargos, como ICMS, PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Se o foco for a prestação de serviços, os encargos serão ISS, PIS, COFINS, IRPJ e CSLL;
  3. escolher o formato de empresa que a loja virtual assumirá. São cinco opções de acordo com a legislação brasileira: sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples, sociedade em comandita por ações, sociedade anônima, sociedade limitada;
  4. definir o nome da empresa;
  5. criar um contrato social;
  6. formalizar a empresa em todos os órgãos de registro. São eles: Junta Comercial, Receita Federal (CNPJ) e Secretaria da Fazenda Estadual, com inscrição na Prefeitura e em outros municípios, se necessário.

Concluindo

Agora que você já sabe como abrir uma loja virtual, é preciso tirar as ideias do papel e colocá-las em ação. O uso de e-commerces no mercado competitivo atual é a melhor forma de atingir uma vasta quantidade de clientes e com mínimas barreiras geográficas.

As novas gerações tendem a ser cada vez mais conectadas e o poder de consumo adquirido será fortemente direcionado para a internet. As lojas virtuais que conseguirem atender às demandas do consumidor e construir uma relação com eles terão grandes chances de prosperarem.

Uma das dicas mais importantes para quem está começando essa empreitada é contar com a ajuda de empresas especializadas. O programador e o designer certos, combinados a uma estratégia de divulgação arrebatadora, podem ser o diferencial que levará o e-commerce ao sucesso.

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